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sexta-feira, 14 de maio de 2021

#ficaadica

 #ficaadica


(Paula Campos)

Fica, sim. Escondida na última gaveta.


14/05/2021

sexta-feira, 9 de abril de 2021

Vergonha?

Vergonha?

(Paula Campos)

 As pessoas não sabem. Quem desconfia não consegue confirmar. As fotos não mostram.

09/04/2021

segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

Sunset

Sunset

(Paula Campos)

Spring has gone
And, with it, my hopes
Summer has come
But something feels wrong

I watch the sun go down
The wind blows like in July
But winter is here
Deep in my heart it lies

The sun may never rise again
And the cold may stay forever
But tell me if spring knocks once more

‘Cause a box of matches I keep by the door
And by the window you will find me
Or maybe on the floor


11/01/2018

domingo, 21 de outubro de 2018

Rapa

Rapa

(Paula Campos)

Agora vai
Não foi
Sigo em frente

Desvio da rota
Vejo sempre o (mesmo) destino
Sigo crente

Desconstruo o trauma
Ouvindo música da alma
Da gente

Será que vai?
Você foi
Meu coração ficou

Segue quente.

13/10/2018

quinta-feira, 7 de junho de 2018

Perspectivas

Perspectivas

(Paula Campos)

Ele está sentado na praça o observa o movimento. Dia cheio, praça cheia. Pessoas apressadas. Venta muito. Folhas dançam no ar. Entre idas e vindas e danças, lá do outro lado, ele enxerga uma moça sentada no banco. Ela parece estar segurando algo muito colorido, mas ele não consegue identificar o quê. Nem pensa em se aproximar. O movimento de pessoas continua grande. Ele força a vista. Nada.
Agora, menos pessoas passam pela praça e ele se concentra para ver o objeto. Curioso. Nota que, na verdade, não é um objeto que a moça segura, colorido é o gesso que envolve seu braço quebrado. Quebrado? Talvez. Gesso colorido?! Que diferente! Ele tenta focar sua visão para ver os desenhos no gesso, identifica borboletas e flores, parece um jardim. Encantado, se levanta para tentar ver melhor. Enxerga, inclusive, um coração. Que legal! Em meio à dor de um braço quebrado, alguém consegue trazer beleza para quem está por perto.
Ele começa a andar em direção à moça. Queria conversar com ela, elogiar o feito. No entanto, quanto mais se aproximava, menos bonito ficava o gesso. Depois de uns passos, começou a ver que o gesso estava rachando, que todos os desenhos perdiam sua forma. Voltou para seu lugar e viu tudo lindo de novo. Ficou sem entender. Levantou-se novamente e foi caminhando em direção à moça. Não quis mais elogiar. Pensou em perguntar o que houve com o gesso. Quanto mais perto dela, mais rachado parecia o gesso, mais feios ficavam os desenhos nele.
Quando estava de frente para ela, não conseguia mais identificar desenho algum. Só umas cores disformes. Olhou para a moça, que olhava para o nada. Uma lágrima escorreu pelo rosto dela, um nó se formou na garganta dele. Sem conseguir falar nada que a pudesse ajudar, foi embora. No caminho para casa, a pé, já que perdera o ônibus devido a sua curiosidade, ficou pensando em como são as pessoas. Como de longe alguém pode parecer tão alegre! Só quando nos aproximamos, conseguimos enxergar realmente o sofrimento alheio.

05/06/2018

sábado, 21 de abril de 2018

A vida é dura


A vida é dura
(Paula Campos)
Ela vê o adversário desprevenido
Calça sua luvas gordas e vermelhas
Por trás mesmo, porque é desleal
Ela desfere o golpe

O adversário cai,
Fica desacordado por uns instantes
Curtos, porém dolorosos
Abre os olhos

O adversário se levanta
Zonzo, sangrando
E é golpeado novamente
Como disse, ela é desleal

A pancada é forte
E ele fica desacordado por uns instantes
Longos. Dolorosos. Inacreditáveis.
E não abre os olhos desta vez.

O tempo passa
Ele parece estar em coma
Quando finalmente abre os olhos,
Não enxerga saída. Nada.

Enquanto isso, ela se dá por vitoriosa
Baixa a retaguarda
Sabe de sua força
E se mostra, se vangloria

O adversário volta a ver
Se ergue
Nota a distração da outra
E vai.

Dá um grito
Para chamar a atenção
Pois ele não é desleal como ela
E dá-lhe um soco no estômago

Mas ela não é mole
Trôpega, só que atenta
Dá uma rasteira em seu adversário
Que, de novo, cai

Ele bate a cabeça no chão
Mas mesmo desacreditado pelos que assistem,
Ele levanta, respira fundo
Analisa a situação

Dá a volta pelo lado
Achando que, assim
Daria a volta por cima
Mas leva um soco na cara

Ela é implacável
Mostra a ele que não tem saída
Que as coisas vão ser do jeito dela
E que, a cada vez que ele teimar em se levantar,
Ela o fará cair novamente

Ele é teimoso
Mostra que não desiste fácil
Que sente que as coisas vão entrar nos eixos
E que, a cada vez que for derrubado,
Levantará mais forte e determinado.

Os espectadores estão divididos
Muitos torcem para o adversário ser trucidado
Sem dó
Muitos querem que ele desista e se poupe
Outros tantos, mesmo sabendo que o adversário será derrotado,
Desejam que ele lute.

Ninguém acredita nele
Todos sabem que ela é cruel
Ninguém acredita nele
Apenas ele acha ser forte o suficiente para vencer
Será que crer basta?
21/04/2018

domingo, 28 de janeiro de 2018

Máquina do tempo

Máquina do tempo

(Paula Campos)

Terminei de assistir a uma série alemã chamada Dark, na qual quatro famílias buscam respostas para os mistérios que envolvem o desaparecimento de um menino. Um enredo que mexe com três gerações e que envolve o fantástico tema “viagem no tempo”.
Impossível ser atiçado para isso e não ficar pensando em como seria se realmente pudéssemos viajar no tempo. O que você faria? Teria coragem de voltar no tempo e mudar alguma coisa que aconteceu, mesmo sabendo dos riscos?
Com certeza, eu gostaria. Mudaria coisas simples, como dar o abraço, que eu nunca dei, no Rex. E, obviamente, gostaria de fazer coisas mais complexas. Eu mudaria algumas atitudes minhas que sei que trouxeram consequências bem negativas para a minha vida. Seria mais paciente, mais tolerante; teria me calado inúmeras vezes, possibilitando situações mais agradáveis; mas, principalmente, não teria ficado calada quando eu mais precisei falar. Arrependo-me de coisas que fiz e de coisas que não fiz. Quem não? E, se pudesse voltar atrás, com certeza o faria.
Porém, essa não é a única possível viagem no tempo. Frequentemente, falo “ah, se eu pudesse voltar no tempo, eu queria fazer tal coisa para ter aquela sensação de novo!”. E você? Também pensa assim?
Eu gostaria de voltar a alguns momentos da minha vida. Voltar a algum dia da minha infância, ficar pedalando com meu irmão e meu vizinho e fugir até a padaria, sentindo aquela adrenalina de fazer algo escondido (assim como pegar um chocolate da lanchonete do meu pai sem que ele visse); conversar de novo com o crush da época; aproveitar de novo a companhia de cada pessoa que já não está mais por perto... Gostaria de voltar ao dia em que cheguei a NY e ter de novo aquela sensação de “eu consegui” (sem deixar de tomar um Vanilla Shake); respirar de novo o ar de São Francisco e pensar “ realizando meu sonho”, olhar para a Golden Gate e me decepcionar por achar que ela seria mais atraente, mas, mesmo assim, atravessá-la de novo (porque lá de cima ela é fantástica!); sentir a emoção de ver o mar e a neve pela primeira vez; sentir o frio na barriga de entrar em um avião; sentir aquele perfume de novo... Não ficaria presa no passado. Faria isso pelo simples prazer de sentir tudo de novo e voltaria ao presente.
Infelizmente, não há borracha que apague as consequências de ações que fizemos ou deixamos de fazer. Tampouco há um controle remoto que nos permita apertar umas teclas e selecionar cenas da nossa vida. Mas, se eu pudesse escolher uma, só uma!, eu voltaria àquele primeiro beijo, a melhor sensação!, e ficaria apertando rewind sempre que desse saudade.
E você? O que você faria?


28/01/2018

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

De volta pra mim

(Paula Campos)

Cinco anos se passaram desde que fiz minha primeira viagem internacional. Há quem diga que minha memória é excelente e que eu não preciso de ninguém/nada para fazer me lembrar das coisas. Mesmo assim, na última semana fui bombardeada por lembranças do Facebook. Realmente, não foram elas que me lembraram da viagem, mas me ajudaram a torná-la mais viva, com fotos e vídeos.
Desta vez, houve ainda uma coincidência de calendário: o dia 20 de novembro de 2011 foi num domingo, assim como o de 2016. "Há cinco anos, nesta hora, eu estava fazendo tal coisa", sou dessas. Vivi cada dia dessa última semana querendo estar de volta a Nova Iorque. Pretendo conhecer outros lugares nas minhas próximas viagens (que sei lá quando acontecerão.... Xô, crise!), mas essas lembranças me fizeram querer estar lá. Coisas como ligar para minha mãe, no dia do seu aniversário, num intervalo da visita ao Museu de História Natural, depois de ter estado na Saint Patrick's Cathedral e no Top of the Rock, vieram à tona como se tivessem acontecido há dois dias. Tenho o diário de bordo dessa viagem, mas, se não o tivesse escrito na época, escreveria hoje sem muitos problemas.
No ano passado, realizei meu sonho e conheci São Francisco, na Califórnia. Meu sonho! Foi super especial, mas, mesmo assim, não saberia escrever um diário de bordo detalhado hoje (e não escrevi na época 😏). Nova Iorque é um marco na minha história. Foi lá que criei coragem para fazer coisas que, numa cabeça cheia de paranoias como a minha na época, eram inimagináveis. Eu viajei para o exterior. Eu!, filha de um zelador e uma dona de casa, nascida em família humilde, professora! Eu andei sozinha até o Central Park pensando "Se eu passar mal... Não, não vou passar mal... Ando até a próxima esquina... Agora, até aquele carro ali." E assim fui andando, batendo fotos, voltei para o hotel conversando com um taxista do Sri Lanka (!).
Vim embora no dia 28 de novembro, numa segunda-feira, há exatos cinco anos; e na bagagem trouxe, além de pessoas que se fizeram importantes e uma vontade enorme de ser ryyyca 😎, eu mesma. Eu estava bem!
Que me desculpe a Califórnia, mas NY me trouxe de volta à vida.

28/11/2016

segunda-feira, 11 de julho de 2016

A crise do esperar muito


A crise do esperar muito

(Paula Campos)

Quem me conhece sabe que eu detesto esperar. Na verdade, pouca gente sabe. Acho que quase ninguém realmente me conhece. Esperar por alguém é um teste enorme para minha paciência. Horário é horário, brasileiros! Não digo que me sinto britânica porque nem me considero pontual: eu chego antes! Não sei se o atraso é característica intrínseca de quase todos os brasileiros, mas, com certeza, dos meus amigos é. Quando eu era mais nova, havia combinado de caminhar com um dos meus melhores amigos. Esperava... Esperava... Esperava! Se bobear, por quase uma hora! Gente! Se fosse uma pessoa sem importância pra mim, já era. Ainda bem que era (e é) importante. E quando vou pegar carona com alguém? Mais um teste! Mas eu que quero carona, né... Só que quando sou eu que vou dar carona e a pessoa atrasa... Ah!!! Argh!!! Gente, você pediu carona, a pessoa falou o horário... Chegue na hora! Que coisa! Odeio atrasos! Porém, não é sobre isso que quero falar. Isso nem é uma crise.
Este texto é inspirado no livro “Tá todo mundo mal”, da Jout Jout. Compartilho de várias crises que ela relata e ainda nem terminei o livro para saber se ela compartilha desta minha (dei uma pausa para ler uma crise dela – fui interrompida por um chato – impaciência: mais uma crise minha! Deu pra notar? – e ela falava sobre expectativas... Tchãnã!!). Venho tendo crise de expectativa, a famosa crise do esperar muito de alguém, de uma situação, de uma instituição. Quem me conhece sabe que eu crio expectativas e que, obviamente, quando não são correspondidas, despertam em mim as mais diversas sensações, desde tristeza até irritação extrema (olha a impaciência aí), ou seja, nada bom.
Eu tenho consciência de que esperar demais é culpa minha (mesmo se não tivesse, sempre jogam isso na minha cara). Eu só acho que não custa nada a pessoa corresponder, de vez em quando, às minhas expectativas. Mas ainda não é exatamente sobre isso que quero falar.
Eu sou professora e gosto do que eu faço. Por isso, eu sonhava em mudar a Educação – porque o mundo, seria demais. Algumas mudanças eu consegui no início: despertei a atenção de muitos alunos para as possibilidades, para o mundo, para a vida! Fui feliz por muito tempo! Só que alguma coisa, em algum momento, mudou e, embora eu continue gostando da sala de aula, não sou mais feliz. Me peguei pensando outro dia (na verdade, em vários dias) em qual seria o problema. E cheguei a uma conclusão: são tantos! Os problemas da Educação começam no topo e vão até as casas, seguindo o esquema:

GOVERNOS -  ESCOLAS  (DIREÇÃO -  SUPERVISÃO/ORIENTAÇÃO - PROFESSORES 
DESMOTIVADOS - ALUNOS DESINTERESSADOS) - FAMÍLIA AUSENTE

Na minha realidade, além de governos cheios de propagandas enganosas e secretarias lotadas de pessoas que não conhecem a realidade de uma escola, o que mais me incomoda é o desinteresse dos alunos, que, muitas vezes, não têm uma perspectiva de futuro e veem a escola apenas como obrigação (está aí outro grande problema: “Educação para todos” – escola deveria ser direito apenas, não dever); e a ausência de cobrança e participação por parte dos pais também influencia no meu desânimo. A falta de perspectiva dos alunos de Ensino Médio é alta, já que muitos são imediatistas e querem ganhar dinheiro rápido, trabalhando no comércio, ou mesmo fazendo, concomitantemente, cursos técnicos para terem rapidamente uma profissão. Ambos os caminhos atrapalham sua trajetória escolar.
O que dizer, então, do Ensino Fundamental? A falta de perspectiva é ainda maior! Os alunos entendem, em sua maioria, que a ida à escola é pura obrigação e a indisciplina rola solta. Estudos dizem que em 80% do tempo, os professores têm de cuidar da questão disciplinar, sobrando apenas 20% para o conteúdo. Como ser feliz assim? Eu não consigo.
Fazendo toda essa análise, uma lâmpada se acendeu na minha mente. O problema continua sendo eu, na verdade. Eu espero demais dos alunos e de seus pais, eu espero mais dos responsáveis pela Educação. Mais um exemplo da crise do esperar muito.
Será que realmente eu que sou errada por esperar que as coisas devessem, ou não, ser assim? Será que o mundo está errado, mas eu estou ainda mais por esperar que ele mude? Ou será que está tudo errado, todo mundo acha errado, mas poucos falam?
É... preciso de terapia.

06 e 07/07/2016

sexta-feira, 1 de abril de 2016

Say no more

Say no more

(Paula Campos)

Era uma vez, uma garota tímida que sobre nada falava, com medo da reação das pessoas.
Na escola, demorou a interagir com os colegas em sala e só teve coragem de fazer alguma pergunta ao professor quando já se encontrava na faculdade.
Apaixonava-se por alguns colegas e o amor era sempre platônico.
Quando deixou de ser, o namoro começou com conversas pela internet.
Tão mais fácil escrever!
E começou a escrever! Não em diários cheios de códigos, porque criatividade nunca foi seu forte também.
Começou a escrever textos e postar na internet, como forma de desabafo. Melhor vomitar palavras de ira sem que as pessoas vejam sua expressão facial; melhor tecer opiniões sem ver caras de discordância.
Relacionamentos dos mais diversos vieram e, por muito tempo, ela se manteve assim. 
Começou a se soltar aos poucos. Mas continuava com tanto respeito a si e aos demais que as opiniões eram sempre muito ponderadas.
Isso é o que ela achava. As pessoas, na verdade, não gostam de opiniões alheias, principalmente quando contrárias.
Voltou a ser muda. Só se ouvia sua voz em risada e opiniões a favor das pessoas com quem, quando corajosa, conversava.  Não que quisesse agradar. Quando a opinião era contrária, ela guardava pra si. Ou escrevia.
Triste, não é? Mas vivendo assim, ela evitava problemas. 
Só que guardava remorsos, engolia raivas e injustiças. Tentava manter a paz no ambiente e foi perdendo a sua própria.
Relacionamentos se perderam. Na cabeça dela, isso se deu porque não conseguia se expressar.
Foi incentivada a falar. “Falar faz um bem danado!”, diziam.
E começou, finalmente, a se soltar de verdade. A falar, brincar, rir, ter opiniões contrárias e, mesmo assim, respeitadas. Finalmente!
Assim, sentiu-se criando laços, relações talvez mais verdadeiras.
“Bullshit”! O tempo passou... As mesmas pessoas que compartilhavam suas ideias e aceitavam suas opiniões não querem mais ouvi-la.
Quando se indagou sobre o que havia feito de errado, “você falou!” ecoava em sua mente.
Desde então, voltou a só escrever.

01/04/2016

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Que caiam as máscaras!

Que caiam as máscaras!

(Paula Campos)

Ouvimos dizer que a vida é feita de escolhas. Sim. Mas temos que ter em mente que as circunstâncias que nos levam a algumas escolhas podem não ter sido escolhidas por nós. Quantas vezes nos encontramos numa enrascada, numa encruzilhada, numa “sinuca de bico”! Quantas coisas nós queríamos não precisar escolher?! Desculpem-me se falo só por mim, mas há várias situações como essas que não foram criadas por causa de nossos atos passados. Elas simplesmente aparecem e pronto: direita ou esquerda; isso ou aquilo; para cima ou para baixo...?
Não é diferente quando o assunto é amor. Está certo que cada um escolhe seu marido ou sua esposa, pois a escolha de se casar e de com quem se casar é pessoal e intransferível. Mas e o gostar, o amar? Você aí, prezado leitor, alguma vez já escolheu gostar de alguém? Eu, não. Você já teve a opção de amar ou não alguém? Eu, não. Pois gostar e amar são sentimentos e, como tais, simplesmente acontecem; sem que percebamos, estamos gostando de alguém e queremos estar perto dessa pessoa o tempo todo.  Amar não é opcional.
Então, aparece outra indagação: e a tal opção sexual? Será mesmo que um homem opta por ter atração por uma mulher, uma garota opta por amar um menino? A sociedade diz que sim ao usar o termo “opção” para designar esses encontros. Eu pergunto a você de novo: Já optou por gostar de alguém? Você já fez uma lista e foi colocando “sim” e “não” na frente dos nomes dos avaliados? “Deste eu vou gostar; deste aqui, não.”. Eu, não! Se você concorda que não escolhemos quem amamos, deve concordar, então, que opção sexual não existe.
Nos últimos anos, venho conversando com pessoas que têm uma visão bem clara (ou mesmo esclarecida) sobre esse assunto. Muitas me disseram não haver problema na existência de casais homossexuais. Algumas me disseram que pessoas gostam de pessoas, pouco importando se são homens ou mulheres. Pessoas gostam de pessoas. Essa frase fica martelando até hoje na minha cabeça e traduz verdade. Quem dera todos pensassem assim! Estaríamos numa sociedade mais respeitosa, menos violenta, menos preconceituosa.
Eu, Paula, passei minha infância me apaixonando por meninos; minha adolescência apaixonada por meninos; parte da vida adulta amando um homem. Eu, Paula, namoro uma mulher e sou apaixonada por ela. Não escolhi gostar dela. Simplesmente aconteceu. E arrisco dizer que nunca me senti tão bem no quesito sexualidade. Não me encaixo em rótulos (mais um problema da sociedade); não sou hétero, homo ou bi. Sou apenas uma mulher apaixonada por outra mulher. Hoje sou mais experiente, mais feliz, mais radiante, mais valorizada, mais feminina! Menos preconceituosa.
Por curiosidade ou esperança, certa vez fui perguntada se eu “curtia” mulher. Achei tão engraçado! Minha resposta foi “Eu ‘curto’ pessoas. Não acredito nisso de escolha entre homens e mulheres. Você alguma vez já escolheu uma pessoa para gostar? Duvido. A gente simplesmente gosta. Mais de uma pessoa do que das outras, mas está longe de ser uma escolha. Sendo assim, não posso dizer que ‘curto mulher’. Odeio várias. Muito menos homem, acho um monte deles ridículo.” Continuo com a mesma opinião. “Curto” algumas pessoas; outras, não. 
Convivo com várias pessoas preconceituosas que, enquanto trabalham, propagam aos jovens que preconceito é errado, que devemos respeitar as pessoas, porém, quando estão no horário de folga, fazem piadas, caretas e julgam todos, incluindo os próprios jovens. A sociedade é hipócrita, cria rótulos, propaga-os e faz com que acreditemos neles. Olhemos para nós mesmos e pensemos nas coisas que nos são “impostas”. Se há uma escolha que podemos fazer é a de seguir o que os outros falam ou seguir o que intimamente pensamos. 
Chega de máscaras!

10/02/2016

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

A tal sobrevivência

A tal sobrevivência

(Paula Campos)

Tenho razões que desconheces
Sei de opiniões que não me foram faladas
Tenho motivos
E não gosto, assim,
De certas ações que me foram cobradas.

Tens amigos que não me conhecem
Que me julgam por suas palavras
Jogadas ao vento moderno
E que, no sopro de sua mocidade,
Pensam ser os donos da verdade.

Tens pessoas que não sabem do meu ser
Do meu ver, do meu viver
Das dificuldades dos dias de sua ausência
Do meu te querer
Do meu bem-querer
Da minha luta
Da tal sobrevivência.

20/10/2015

Aos olhos de quem vê

Aos olhos de quem vê

(Paula Campos)

Na fila do banco, ela observa
Crianças correndo e um casal
Exemplos da família tradicional.

Na padaria, pessoas sozinhas, em pares, em grupos
E os casais lá
"Benzinho" pra cá, "Amor" pra lá
Normal.

Na praia, o mesmo
Ela observa os olhares alheios
Que tudo veem
Com sorrisos e carinhos
Os beijinhos, os abraços,
Os "benzinhos", os amassos.
Tudo bem!

Afinal, tudo é normal... O amor é lindo...
"Peraí, isso não é um casal!"
E quando os dois são iguais
Vê-se a normalidade nos olhares
Se esvaindo.

20/10/2015

Permissão

Permissão

(Paula Campos)

Se quer ser feliz, permita-se viver.
Se quer viver, permita-se ser.
Não tenha medo de escolher
Desistir, chorar, sofrer.

Não caia na mesmice, comodidade.
O cômodo é bom até você viver de verdade.
Depois disso: felicidade.

Se quer ser feliz, permita-se amar.
Um, dois, três... Quantidade não tem vez.
Amar um não exclui o outro. A chave é a intensidade.

Se quer ser feliz, permita-se terminar.
Não se deixe acomodar pela intimidade.
O falso estável é o estopim da instabilidade, infelicidade.

E torna extremamente dura a realidade.

06/05/2015

Indigestão

Indigestão

(Paula Campos)

O dicionário define indigestão como um substantivo feminino, com duas acepções (1 - má digestão; 2 - efeito da má digestão manifestado por dor abdominal, náusea e/ou vômito). Acho que todos têm uma noção disso e também acho que todos sabem que isso não se dá só com relação a refeições.
Muitas coisas que nos acontecem são indigestas. Sabe quando algumas pessoas tiram conclusões sobre você sem o conhecerem bem? Então. Não sei em vocês, mas, em mim, isso causa uma indigestão! A pessoa olha para você, cria uma imagem, acredita nela e, pior, ela a espalha (sem base, sem fatos, sem conhecimento). Gente, se é difícil interpretar uma pessoa que você conhece, imagina uma com quem você mal tem contato!
E quando a pessoa sabe que você passa por uma situação delicada na vida, que a sociedade pode encarar como uma pedra no caminho? Você não pode ficar triste, estar cansado, ter uma dor de barriga que seja... A pessoa vai falar que é por causa daquela pedra lá, mas mal sabe que a pedra pode ser ela mesma.
Eu tenho passado por isso. Pessoas que falam sem saber de nada e que acham que uma única coisa explica tudo. Vejo pais que não deixam seus filhos crescerem e tratam esses adultos como crianças até hoje. Eu não consigo aceitar isso! Tenho lido coisas que magoam, ouvido opiniões insensatas e até ridículas, mas, para não chatear alguém ou evitar discussões, eu engulo. Tenho visto cenas desagradabilíssimas, as quais também tenho de engolir, seja pelo bem do convívio ou manutenção de um segredo.
Bem, todos nós temos sapos a engolir. Eu tenho engolido tantos que, se a náusea passar para o vômito, o convívio será difícil, algum segredo será revelado e tudo, provavelmente, ficará pior. Ou seja, engolir sapo é necessário e a minha indigestão está sendo enorme.

03/08/2015

domingo, 27 de setembro de 2015

Nota de falecimento

Nota de falecimento

(Paula Campos)

Ela sonhou,
Pensou, planejou, amou, sofreu,
Cansou, desistiu, chorou.

Ela sonhou,
Pensou... E, quando rimou,
Desistiu de escrever.
Não queria que as estrofes fossem iguais.

25/09/2015

quarta-feira, 10 de junho de 2015

Nada

Nada

(Paula Campos)

O dia começa com o azul
Expectativa , vontade e planos
E quando ela olha, nada.

De repente o vento sopra
Um raio a desperta
E quando ela olha, só isso

E sopra novamente
Ela olha, sorriso
Só isso.
E nada.

O dia passa
A folha em branco
Nem um traço, nem uma palavra

A vontade se foi antes do rabisco
A palavra, com o vento
A expectativa ficou no banco,
O azul, no branco

Tudo virou nada
A esperança é o alento.

10/06/2015

quinta-feira, 9 de abril de 2015

O inevitável Clube dos Simples Mortais

O inevitável Clube dos Simples Mortais

(Paula Campos)

Há pessoas que acham que tudo pode ser evitado. Talvez sejam pessoas que evitem sentimentos, que evitem convivência, que evitem sair de casa!
Sabe quando você vai à rua com um plano? Algumas pessoas nunca têm planos (e talvez vivam mais leves por causa disso), mas eu tenho. Sempre tenho! Nos últimos dias, planejei resolver várias coisas na rua. Estava tudo esquematizado: “passo em tal lugar, depois naquele outro e, no caminho entre os dois, pego aquele recibo, faço aquela radiografia...”. Planos perfeitos, com timing perfeito, mas os personagens... Pois é. Você é o personagem principal de um filme chamado Sua Vida, mas todos os principais precisam se dar bem com os coadjuvantes, contando com a ajuda, inclusive, dos figurantes. Bem, os coadjuvantes da minha história parecem ter sido colocados ali para me testar o tempo todo. Eles, em sua maioria, não me ajudam. Na verdade, dificultam praticamente todos os meus planos (principalmente aqueles que eu tinha para esses últimos dias). Resumo: mesmo com planos precisos, o insucesso de alguns é inevitável.
A mesma coisa acontece quando você divide sua casa com alguém, sejam seus pais, irmãos, cônjuge ou colega de república. Você planeja descansar e sua mãe chama a faxineira, a qual vai fazer você trocar de cômodo, pelo menos, umas duas vezes no seu dia de folga, que você usaria para se deitar na cama e ficar por lá. Ilusão! Você chega cansado da faculdade, querendo silêncio para curar a dor de cabeça, e sua colega chamou dez amigos barulhentos para ver filme na sala. A cada gargalhada, sua cabeça lateja. Você precisa do computador para fazer um trabalho, mas seu irmão pentelho não larga o jogo que ele já zerou mil vezes! Pois é. Imprevistos são inevitáveis.
Na sua infância (alegórica), você começa a gostar de um colega seu, quer se aproximar, planeja como poderia fazer isso sem parecer forçado ou estranho... Já passou por isso? Deu certo? Ou por acaso alguma outra pessoa colocou o plano dela em prática antes de você e você “dançou”? Ou no dia da execução do plano, seu alvo se mudou para outra cidade? Ou, simplesmente, sei lá!, você foi o alvo do plano de alguém? Você, quem sabe, mudou seu alvo, sem aviso prévio? Alguma coisa deu errada? Se não, parabéns! Você é especial! Se sim, seja bem-vindo ao clube do simples mortais!
Clube dos Simples Mortais seria um bom nome para o clube daquelas pessoas que não conseguem colocar todos os planos em prática, basicamente, porque alguma coisa mudou. Algum caminho se fechou, algum desvio teve de ser feito. Alguma faxineira, ou colega, ou algum irmão, ou um simples fumante (soprando sua fumaça tóxica na sua cara) ou, pior, todos eles juntos...! Alguém fez com que seus planos mudassem! Alguém... Ou alguma coisa. Sentimentos e sensações mudam. Não significa que acabem! Simplesmente mudam. Podem aumentar ou diminuir, porém, com o passar do tempo, tudo, tudo!, muda. Inclusive você mesmo, personagem principal.
Inevitavelmente.

09/04/2015

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Dia de faxina

Dia de faxina

(Paula Campos Soares)

Ontem foi dia de final de campeonato. Atlético Mineiro e Cruzeiro decidiam a Copa do Brasil e, obviamente, antes do jogo já se viam ofensas mil, principalmente nas redes sociais. E isso significa que ontem foi dia de faxina. Dia de deixar de seguir, de “varrer” aquelas pessoas que não sabem publicar nada que não seja sobre futebol (ofensas ou não, galera! Só queria dizer que existem outros assuntos.) para debaixo do tapete.
Bem, nas redes sociais, a gente bloqueia; em casa, a gente lamenta a falta de educação e de respeito dos vizinhos do nosso prédio, e das pessoas da nossa cidade, que gritam, soltam fogos e fazem buzinaço durante a madrugada. “Peraí”, vocês não trabalham, não? Sério! As pessoas normais merecem descanso e merecem o direito de não saber o resultado de um jogo de futebol.
Tudo isso é exemplo da total falta de respeito que existe por aí. Venho sendo rodeada por ela. Nas ruas, na família, no trabalho... Um exemplo é a insistência. Se você pede algo para alguém e a pessoa nega, respeite. Se você se interessa por alguém, tem o direito de dar em cima da pessoa, mas se a pessoa diz “não”, respeite. “Não” é “não”. Se você acha que seu amigo está muito sozinho (mesmo que ele não reclame disso), tem até o direito de querer arrumar alguém para ele, mas, se ele não quer, aceite o “não”. Respeite. Sou contra esse tipo de insistência. Uma vez dito o “não”, eu respeito. A pessoa tem motivo para negar, galera! Não é à toa. Mas, enquanto eu penso que “não” é “não”, a maioria das pessoas pensa “Não é, não!” e insistem.
Insistindo na insistência, insisto em reclamar de certas atitudes que vejo por aí. Praticamente nada me irrita mais que adultos (“adultos”) que teimam (para não usar o verbo insistir) em agir como crianças, rindo dos outros, gritando, cantando ofensas e irritando pessoas que estão quietas em seu canto, que podem estar assim por causa de algum sofrimento ou podem ser, simplesmente, tímidas, sérias, podem querer apenas balançar a cabeça para cima para cumprimentar ao invés de abrir um sorriso de orelha a orelha e gritar “bom dia!”. Falsidade é questão de escolha. Gostaria que essas pessoas insistissem em coisas mais úteis, como crescer, amadurecer, entender e, acima de tudo, respeitar.
Aos que querem aparecer: sugiro melancia. Pesa menos que suas ações. Aos atleticanos: que não fiquem rindo e desrespeitando o Cruzeiro, atual campeão brasileiro. Aos cruzeirenses: e daí que o título deles é inédito e vocês têm quatro (quando conquistaram o primeiro, ele era inédito para vocês. Não?)?
Dia de faxina é assim, a gente enxerga o que está entulhando e joga fora. Tenho feito isso nas redes sociais, espero ansiosamente que o ano acabe para eu fazer isso em certos grupos sociais (e reais) meus. Poder manter perto de mim, mesmo que virtualmente, o que me agrada e me faz bem. Varrer os desrespeitosos pra bem longe, torcendo para que, se um dia o vento os trouxer de volta, eles já tenham sido varridos do desrespeito.


27/11/2014

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Escolhas

Escolhas

(Paula Campos Soares)

Andando pelo bosque, Tite ouviu um barulho triste. Seguindo a direção do vento, ele descobriu de onde o barulho vinha. Encontrou no primeiro galho de uma árvore baixa um ninho de pássaros, onde havia dois filhotes. Os dois gritavam, incomodados, mas apresentavam comportamentos diferentes: um era agressivo e o outro transparecia uma tristeza no olhar. Tite se identificou com o pássaro triste, fez um carinho nele e voltou pra casa.
Todos os dias, uma vontade enorme de cuidar daquele pássaro enchia seu ser. Sempre que podia, ele ia visitá-lo. Certo dia, ele chegou e o encontrou machucado: "O que houve, amiguinho?", escutou um grito e viu a mãe e o outro filhote chegarem. Chegaram irritados, agressivos e logo ele notou que o machucado foi causado por eles. Ele não poderia deixá-lo ali, sofrendo com sua própria família. Voltou para casa, comprou uma gaiola e no dia seguinte, quando encontrou seu amigo sozinho no ninho, embrulhou-o num lençol e o levou para casa.
Os dois já eram grandes amigos, a melhor companhia de cada um. E assim viveram anos e anos, felizes, contentes, sem de mais nada precisarem. O pássaro não apresentou mais aquele olhar triste e Tite se sentia completo em sua companhia. Com o passar dos anos, porém, o menino notou que seu pássaro se tornara bastante dependente dele, não fazia nada sem ele. Ficou sabendo que estava sempre triste na sua ausência e isso tornou-se um incômodo. Tite, então, pensou: "Vou incentivá-lo a sair da gaiola, andar pela casa e, depois, aprender a voar!". E assim o fez. No entanto, o pássaro não sentia vontade de sair da gaiola e, as poucas vezes em que fazia isso, sempre olhava para Tite, chamando-o e só andava pela casa quando o menino o acompanhava.
E os anos se passaram seguindo tal rotina. Tite sempre se incomodou com a situação e pensou: "Não tem jeito! Terei de deixar a janela sempre aberta, para que ele veja a natureza e tenha vontade de conhecer o mundo.". E assim o fez. O pássaro passou dias só observando. Saía da gaiola e olhava pela janela, via as folhas sendo levadas pelo vento, as árvores balançando, os outros pássaros cantando... Achava tudo lindo, mas bastava ficar ali, observando, e ele ficava feliz.
Certo dia, um barulho ensurdecedor assustou a todos. Algumas das árvores que ficavam em frente à janela foram derrubadas. Triste e com medo, o pássaro ficou o resto do dia encolhido em sua gaiola e dormiu.
Abriu os olhos, sentindo um incômodo imenso. Uma luz que ele não sabia explicar o que era penetrava sua gaiola e o forçava a acordar. Era o desconhecido sol. O pássaro ficou fascinado por ele e resolveu sair pela janela. Assustado e medroso da primeira vez, mas cada vez mais confiante nas outras. E assim, ele conheceu lugares novos, animais diferentes e outras pessoas, inclusive. Tite, no início, ficou feliz, porém, começou a se sentir incomodado a cada vez que o pássaro chegava feliz também. O menino notou que o pássaro era sua única companhia, mas, em vez de passar mais tempo com ele, o menino se isolava de todos, ficava só com seus livros, não brincava mais com seu amiguinho e começou a destratar o passarinho, dizendo que se fosse para ele sair sempre e voltar tarde, ele deveria não voltar mais. E um dia foi isso que aconteceu. Quando já não se sentia mais bem-vindo, foi viver com a luz que iluminou sua vida. Sempre se lembrava com carinho e amor do menino que o salvou de sua família e a saudade sempre o fazia triste e melancólico. Mas esse menino já não era o mesmo. O pássaro olhou para frente, para seu futuro, e viu o sol. Será julgado, com certeza, e tido por ingrato, mas fez sua escolha. Quis arriscar ser feliz.


2014