sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Segundo tempo


Segundo tempo
(Paula Campos Soares)

Há dois meses, tudo o que eu mais queria era que o fim do ano chegasse. Isso foi há dois meses.
Fazendo uma breve retrospectiva, esse ano começou com tudo o que eu não gosto: ansiedade. Na verdade, muitos podem falar que reclamo de “barriga cheia”, já que fui aprovada em um concurso público extremamente concorrido. Pois é, mais uma vez faço um concurso para me testar e passo. Sinceramente não esperava por isso e essa aprovação mudou completamente minha vida. Por causa dela, tive que mudar meus horários por completo, trabalhar três turnos, em quatro escolas, abandonar uma das melhores escolas da cidade por falta de horário (e pior, recusar voltar quando chamada de volta), e depois abandonar outra. Saldo: terminei o ano trabalhando em três escolas, efetiva em dois cargos públicos, mas me sentindo sugada, inútil, infeliz. Porém, não entrarei no mérito da questão.
Obviamente, uma vida não se resume ao lado profissional, mas quando seu lado profissional exige tanto de você que não resta tempo para amigos, família e casa, parece que não vale a pena. Mal vi meus amigos, mal fiquei em casa e me senti mais sozinha do que nunca, mesmo quando não estava. Nem escrevi, nem cantei. Medos surgiram, paranóias também e havia uma luta constante minha contra mim mesmo, tentando barrar pensamentos ruins. Muitas batalhas eu venci, mas aquelas que me derrotaram me deixaram down por muito, muito tempo.
Meu ano só começou a mudar em setembro. Em setembro consegui algo que achei que não conseguiria, algo que me proporcionou uma viagem que me trouxe muito mais do que boas recordações encontradas em fotos. Com essa viagem, eu comecei a me ganhar, me reencontrar, venci todas as batalhas contra mim mesma, todas! Todos os medos que apareceram em meu caminho, eu enfrentei. E venci! Eu venci! Mais do que o alívio por me reencontrar, agora tenho experiência a mais, amigos a mais, enfim, tenho Paula a mais. Voltei a escrever, voltei a cantar.
Há dois meses eu queria que o ano acabasse. Isso foi há dois meses. Agora que seu fim se aproxima, eu queria que durasse um pouco mais para eu poder aproveitar tudo de bom que conquistei. Como diria uma amiga: “Aos 45 do segundo tempo, perdi o direito de reclamar de 2011”.

30/12/2011

domingo, 25 de dezembro de 2011

Breve resumo

Breve resumo

(Paula Campos Soares)

Olhando para trás, deparamo-nos com pessoas infantis, que se achavam maduras o suficiente para criticarem o mundo, fato que as tornava ainda mais infantis. Hoje, essas mesmas pessoas conseguem notar o quanto eram imaturas, continuam criticando o mundo, porém se criticam também. E a ideia de se tornarem melhores no futuro traz esperança suficiente para que possam sonhar como crianças novamente. 

25/12/2011

Rá!


Rá!
(Paula Campos Soares)

Radiante fica o dia
Esbanjando a alegria
Do raio de sol que brilha forte
Exibindo a sua sorte

Rá!
Que caixinha de surpresa é a vida
Que em meio à despedida dolorida
Lhe reserva um susto bom... um susto forte... um susto...

Rá!
Vamos patinar?
Bem, só se sua mãe deixar
Ah, deixa pra depois...
Quem sabe numa viagem número dois...

Rá!
Desculpe a falta de inspiração
Mas, como você mesma diz...
É tudo de coração!
Rá!

19/12/2011

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Nasceu a hipocrisia


Nasceu a hipocrisia
(Paula Campos Soares)

O Natal vem chegando mais uma vez e com ele chega também uma leva de opiniões e julgamentos da postura alheia.
Nestes últimos dias, na internet, tenho lido tantas opiniões sobre o Natal que estou ficando com raiva. Nada contra o Natal. Sério mesmo. O problema é que as opiniões que tenho visto são, na verdade, julgamentos que as pessoas fazem das outras pessoas. Vou explicar. Elas não criticam a essência do Natal; elas criticam o que as pessoas pensam ou deixam de pensar sobre ele.
Li frases em que se criticavam o materialismo e o consumismo do Natal, já que muitas pessoas encaram essa data apenas como uma maneira de comprar e comprar. Concordo que o Natal não seja só isso, no entanto uma das marcas do Natal é o fato de se presentear alguém. Qual o problema em se comprar algo para alguém importante para você? Você não está comprando coisas só para você, por individualismo ou egocentrismo, muito menos comprando armas para usar contra alguém. Você está comprando uma lembrança, algo para alegrar um amigo, um familiar, algo para que ele se sinta importante. Não há nada melhor do que se sentir importante na vida de alguém. Com certeza, quem critica o consumismo gosta de ganhar um presentinho de Natal.
Há quem odeie o Natal pelo fato de ele reunir a família. Respeito quem não gosta, mas não critique quem gosta. Para muitos, essa é uma oportunidade única no ano de se reunirem com seus parentes. Muitos moram longe uns dos outros e veem a celebração natalina como uma chance rara de rever os seus. Que mal há nisso, gente?
Mas o que mais me chateia, para não usar um termo mais forte, é a necessidade dos que se dizem religiosos de afirmarem que as pessoas festejam o lado errado no Natal. Quem são vocês para ditarem o certo e o errado? A alegação de que se deve comemorar o nascimento de Jesus é muito bonita, mas, na maioria das vezes, ela é da boca para fora, é cuspida apenas para que quem a pronuncia seja tido como certinho, temente a Deus, correto em relação a seus irmãos.”C’mon”! Do que adianta falar bonito e não ajudar o próximo em nada? Ser egoísta? Pensar que só sua religião ou crença é certa? E outra coisa: na época do nascimento de Jesus nem havia calendário. O dia 25 de dezembro é usado como uma data simbólica, gente. Portanto, deve-se comemorar o nascimento de Cristo todos os dias, né?
O que me motivou a escrever este texto é a hipocrisia da sociedade em geral, que quer ditar regras, muitos com intuito religioso, mas para isso quer julgar o próximo e suas atitudes. Admito que, com este texto, eu mesma estou julgando algumas pessoas. Peço desculpa se ofendo alguém. Contudo quero deixar minha opinião expressa aqui. Cada um comemora o Natal da maneira em que se sente melhor, seja reunindo a família, comprando presente ou lembrando Jesus. E lembrar Jesus é lembrar-se de seus ensinamentos e não fazer com que as pessoas engulam os “ensinamentos” dos que criticam os outros no Natal. Cada um entende e comemora o Natal da maneira que o satisfaz. Respeite isso!
23/12/2011

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

NY - o oitavo dia e a jornada de volta

O oitavo dia foi para a maioria um dia morto, no qual você só se preocupava em terminar de arrumar as malas e fazer o check-out do hotel. Tínhamos que deixar as malas à disposição do hotel por volta das 10h e liberar o quarto até as 11h30min. Foi uma longa espera sem sair do quarto, esperando o cara buscar as malas para que pudéssemos sair do hotel. Confesso ter sido entediante. Estava doida para poder sair e aproveitar um pouquinho ainda de NY, já que o nosso voo seria só às 21h30min.
Quando finalmente pudemos sair do quarto, fui respirar um pouco do ar de Manhattan. Minha sogra queria ir até a Walgreens, mas eu não. Acabei indo passear num dos lugares mais famosos da cidade, ao qual eu ainda não tinha ido. Queria companhia, não consegui. Fui andando sozinha pelas ruas da cidade e pensando "vou ou não vou...?". A vontade falou mais alto. Eu fui; e não me arrependo. Seguindo pela oitava avenida em direção ao norte estava o Central Park. Finalmente visitei mais partes do parque, pois eu só havia passado na beiradinha dele. Eu entrei e pensei "legalzinho", porém quanto mais eu andava, mais eu queria andar. Você se encanta ao adentrar o Central Park. Ele é maravilhoso. Não conseguia parar de bater foto, ora das folhas, ora dos lindos esquilos, ou até mesmo de um canteiro de cebolas. Isso mesmo! O parque é fantástico. Quando me dei conta do horário e do meu cansaço, decidi voltar para o hotel, pois minha sogra me esperava para almoçar. Saí do parque e notei que já estava na quinta avenida, rua 72. Uau! Andei demais (o hotel era entre a 44 e a 45). Tentei voltar a pé, mas meu pé não deixou. Peguei um táxi e enquanto não chegava ao hotel, por causa do trânsito, bati altos papos com o motorista, do Sri-Lanka.
Chegando ao hotel, minha sogra já me esperava e fomos almoçar num restaurante brasileiro próximo a ele. Comida boa. Atendimento bom. Almoçamos e voltamos ao hotel. Encontrei com a Raíssa e seguimos nós três para o McDonald's; última vez de internet grátis, último Vanilla Shake (na verdade, o meu foi de morango... arrependimento) e últimos cookies.
O nosso ônibus estava marcado para sair às 16h30min rumo ao JFK. Acabamos saindo mais cedo. E, no looongo caminho até lá, fomos nos despedindo da encantadora cidade e sua iluminação extasiante, ao som de Marcos, o brasileiro desafinado que já esqueceu todas as letras das músicas que queria cantar (Ô, roxinha, quando é qu'eu vou te buscar...? Kkkk). Foi ridículo, mas até disso já sinto saudade.
No JFK, em meio a todo o tumulto de um aeroporto grande e suas chatices, consegui meu tão sonhado lugar na janela e a sensação reconfortante de voltar para casa. Sentados estávamos nós esperando pelo voo, uns chateados com problemas no aeroporto, outros extremamente cansados, uns estudando... e eu só observando cada momento, cada pessoa mais próxima e agradecendo, mesmo sem palavras, pela oportunidade de estar ali, conhecendo lugares novos e pessoas novas.
Nem a terrível turbulência da volta me fazia perder a felicidade de ter tido meu ano salvo e a minha esperança renovada. Agora tudo que eu quero é mais e mais...