quinta-feira, 7 de junho de 2018

Perspectivas

Perspectivas

(Paula Campos)

Ele está sentado na praça o observa o movimento. Dia cheio, praça cheia. Pessoas apressadas. Venta muito. Folhas dançam no ar. Entre idas e vindas e danças, lá do outro lado, ele enxerga uma moça sentada no banco. Ela parece estar segurando algo muito colorido, mas ele não consegue identificar o quê. Nem pensa em se aproximar. O movimento de pessoas continua grande. Ele força a vista. Nada.
Agora, menos pessoas passam pela praça e ele se concentra para ver o objeto. Curioso. Nota que, na verdade, não é um objeto que a moça segura, colorido é o gesso que envolve seu braço quebrado. Quebrado? Talvez. Gesso colorido?! Que diferente! Ele tenta focar sua visão para ver os desenhos no gesso, identifica borboletas e flores, parece um jardim. Encantado, se levanta para tentar ver melhor. Enxerga, inclusive, um coração. Que legal! Em meio à dor de um braço quebrado, alguém consegue trazer beleza para quem está por perto.
Ele começa a andar em direção à moça. Queria conversar com ela, elogiar o feito. No entanto, quanto mais se aproximava, menos bonito ficava o gesso. Depois de uns passos, começou a ver que o gesso estava rachando, que todos os desenhos perdiam sua forma. Voltou para seu lugar e viu tudo lindo de novo. Ficou sem entender. Levantou-se novamente e foi caminhando em direção à moça. Não quis mais elogiar. Pensou em perguntar o que houve com o gesso. Quanto mais perto dela, mais rachado parecia o gesso, mais feios ficavam os desenhos nele.
Quando estava de frente para ela, não conseguia mais identificar desenho algum. Só umas cores disformes. Olhou para a moça, que olhava para o nada. Uma lágrima escorreu pelo rosto dela, um nó se formou na garganta dele. Sem conseguir falar nada que a pudesse ajudar, foi embora. No caminho para casa, a pé, já que perdera o ônibus devido a sua curiosidade, ficou pensando em como são as pessoas. Como de longe alguém pode parecer tão alegre! Só quando nos aproximamos, conseguimos enxergar realmente o sofrimento alheio.

05/06/2018

sábado, 21 de abril de 2018

A vida é dura


A vida é dura
(Paula Campos)
Ela vê o adversário desprevenido
Calça sua luvas gordas e vermelhas
Por trás mesmo, porque é desleal
Ela desfere o golpe

O adversário cai,
Fica desacordado por uns instantes
Curtos, porém dolorosos
Abre os olhos

O adversário se levanta
Zonzo, sangrando
E é golpeado novamente
Como disse, ela é desleal

A pancada é forte
E ele fica desacordado por uns instantes
Longos. Dolorosos. Inacreditáveis.
E não abre os olhos desta vez.

O tempo passa
Ele parece estar em coma
Quando finalmente abre os olhos,
Não enxerga saída. Nada.

Enquanto isso, ela se dá por vitoriosa
Baixa a retaguarda
Sabe de sua força
E se mostra, se vangloria

O adversário volta a ver
Se ergue
Nota a distração da outra
E vai.

Dá um grito
Para chamar a atenção
Pois ele não é desleal como ela
E dá-lhe um soco no estômago

Mas ela não é mole
Trôpega, só que atenta
Dá uma rasteira em seu adversário
Que, de novo, cai

Ele bate a cabeça no chão
Mas mesmo desacreditado pelos que assistem,
Ele levanta, respira fundo
Analisa a situação

Dá a volta pelo lado
Achando que, assim
Daria a volta por cima
Mas leva um soco na cara

Ela é implacável
Mostra a ele que não tem saída
Que as coisas vão ser do jeito dela
E que, a cada vez que ele teimar em se levantar,
Ela o fará cair novamente

Ele é teimoso
Mostra que não desiste fácil
Que sente que as coisas vão entrar nos eixos
E que, a cada vez que for derrubado,
Levantará mais forte e determinado.

Os espectadores estão divididos
Muitos torcem para o adversário ser trucidado
Sem dó
Muitos querem que ele desista e se poupe
Outros tantos, mesmo sabendo que o adversário será derrotado,
Desejam que ele lute.

Ninguém acredita nele
Todos sabem que ela é cruel
Ninguém acredita nele
Apenas ele acha ser forte o suficiente para vencer
Será que crer basta?
21/04/2018

quinta-feira, 1 de março de 2018

Apostila

Seguem abaixo os links para a apostila de Língua Portuguesa para este ano de 2018.
Abraços.


Capa

Apostila

domingo, 28 de janeiro de 2018

Máquina do tempo

Máquina do tempo

(Paula Campos)

Terminei de assistir a uma série alemã chamada Dark, na qual quatro famílias buscam respostas para os mistérios que envolvem o desaparecimento de um menino. Um enredo que mexe com três gerações e que envolve o fantástico tema “viagem no tempo”.
Impossível ser atiçado para isso e não ficar pensando em como seria se realmente pudéssemos viajar no tempo. O que você faria? Teria coragem de voltar no tempo e mudar alguma coisa que aconteceu, mesmo sabendo dos riscos?
Com certeza, eu gostaria. Mudaria coisas simples, como dar o abraço, que eu nunca dei, no Rex. E, obviamente, gostaria de fazer coisas mais complexas. Eu mudaria algumas atitudes minhas que sei que trouxeram consequências bem negativas para a minha vida. Seria mais paciente, mais tolerante; teria me calado inúmeras vezes, possibilitando situações mais agradáveis; mas, principalmente, não teria ficado calada quando eu mais precisei falar. Arrependo-me de coisas que fiz e de coisas que não fiz. Quem não? E, se pudesse voltar atrás, com certeza o faria.
Porém, essa não é a única possível viagem no tempo. Frequentemente, falo “ah, se eu pudesse voltar no tempo, eu queria fazer tal coisa para ter aquela sensação de novo!”. E você? Também pensa assim?
Eu gostaria de voltar a alguns momentos da minha vida. Voltar a algum dia da minha infância, ficar pedalando com meu irmão e meu vizinho e fugir até a padaria, sentindo aquela adrenalina de fazer algo escondido (assim como pegar um chocolate da lanchonete do meu pai sem que ele visse); conversar de novo com o crush da época; aproveitar de novo a companhia de cada pessoa que já não está mais por perto... Gostaria de voltar ao dia em que cheguei a NY e ter de novo aquela sensação de “eu consegui” (sem deixar de tomar um Vanilla Shake); respirar de novo o ar de São Francisco e pensar “ realizando meu sonho”, olhar para a Golden Gate e me decepcionar por achar que ela seria mais atraente, mas, mesmo assim, atravessá-la de novo (porque lá de cima ela é fantástica!); sentir a emoção de ver o mar e a neve pela primeira vez; sentir o frio na barriga de entrar em um avião; sentir aquele perfume de novo... Não ficaria presa no passado. Faria isso pelo simples prazer de sentir tudo de novo e voltaria ao presente.
Infelizmente, não há borracha que apague as consequências de ações que fizemos ou deixamos de fazer. Tampouco há um controle remoto que nos permita apertar umas teclas e selecionar cenas da nossa vida. Mas, se eu pudesse escolher uma, só uma!, eu voltaria àquele primeiro beijo, a melhor sensação!, e ficaria apertando rewind sempre que desse saudade.
E você? O que você faria?


28/01/2018

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Porquês

Para vocês que sempre me perguntam sobre as diferenças entre (por que, porque, por quê, porquê)...

Usos do porquê

Há quatro maneiras de se escrever o porquê: porquê, porque, por que e por quê. Vejamo-las:

Porquê
É um substantivo, por isso somente poderá ser utilizado, quando for precedido de artigo (o, os), pronome adjetivo (meu(s), este(s), esse(s), aquele(s), quantos(s)...) ou numeral (um, dois, três, quatro)
Ex.
• Ninguém entende o porquê de tanta confusão.
• Este porquê é um substantivo.
• Quantos porquês existem na Língua Portuguesa?
• Existem quatro porquês.

Por quê
Sempre que a palavra que estiver em final de frase, deverá receber acento, não importando qual seja o elemento que surja antes dela.
Ex.
• Ela não me ligou e nem disse por quê.
• Você está rindo de quê?
• Você veio aqui para quê?

Por que
Usa-se por que, quando houver a junção da preposição por com o pronome interrogativo que ou com o pronome relativo que. Para facilitar, dizemos que se pode substituí- lo por por qual razão, pelo qual, pela qual, pelos quais, pelas quais, por qual.
Ex.
• Por que não me disse a verdade? = por qual razão
• Gostaria de saber por que não me disse a verdade. = por qual razão
• As causas por que discuti com ele são particulares. = pelas quais
• Ester é a mulher por que vivo. = pela qual

Porque
É uma conjunção subordinativa causal ou conjunção subordinativa final ou conjunção coordenativa explicativa, portanto estará ligando duas orações, indicando causa, explicação ou finalidade. Para facilitar, dizemos que se pode substituí-lo por já que, pois ou a fim de que.
Ex.
• Não saí de casa, porque estava doente. = já que
• É uma conjunção, porque liga duas orações. = pois
• Estudem, porque aprendam. = a fim de que